Sobre:

Os artistas Karine Assis, Marina Morais e Vinícius Rezende inauguram na próxima quinta, 27 de setembro, a exposição fotográfica “Feito Sísifo”, na Aliança Francesa Belo Horizonte. O ensaio de 55 fotos faz parte da programação anual da galeria Georges Vincent, em um total de oito mostras ao longo do ano, todas com o tema “Arte na Luta”.

O nome da exposição é uma metáfora do trabalho moderno mediante a lenda de Sísifo, personagem da mitologia grega que foi condenado pelos deuses do Olimpo a empurrar uma grande pedra até o topo de um penhasco. Com um detalhe pérfido: ao fim do trabalho, a rocha rolava novamente montanha abaixo, forçando o anti-herói a continuar a tarefa pela eternidade. “O ensaio fotográfico propõe olhar de perto e sensibilizar para o cotidiano laboral de trabalhadoras e trabalhadores reais que, por ou não terem autonomia ou garantias formais mínimas, repetem, diariamente, esforços para sobreviver em condições adversas, assim como Sísifo”, descreve Marina Morais.

A mostra foi dividida em três séries: “Das adversidades”, “Máscaras vivas” e “Quando pesa este corpo”. “São recortes que sensibilizam para o trabalho sem finitude ou sem circunstâncias mínimas, desde os ‘bicos’ de serviços até cargos historicamente masculinizados e, agora, desempenhados também por mulheres”, conta Karine Assis. Além disso, o trio de artistas irá realizar a performance “A realização do absurdo exige revolta?”, frase adaptada do livro “O mito de Sísifo”, de Albert Camus, na cerimônia de abertura.

A resistência desses Sísifos modernos, em meio à adversidade infinita, é o elo entre as fotografias e a própria performance. Por esse viés, a recusa diária dos corpos à rendição tem até um tom de sublime, quando a criatividade exausta se encerra em uma existência real, vinculada ao amor e à sobrevida. “Ainda que o conceito inicial dos ensaios tenha surgido a partir do incômodo em relação ao labor precoce e sem finitude, seja por falta de autonomia frente ao trabalho ou pela ameaça constante de retirada de direitos, nosso olhar se ateve sobretudo ao trabalhador(a) altivo. Sua criatividade e resiliência, seu ímpeto de inventar possibilidade, abrir caminhos, o driblar a ‘morte’. Por enganar essa condição última, Sísifo foi condenado. E segue empurrando a pedra, mas lutando e defendendo uma vida apesar e além deste peso”, diz Vinícius Rezende.

 

Karine Assis nasceu na periferia de Belo Horizonte, é formada em Letras e produz, na cidade, encontros de literatura, mostras de cinema, educação e cultura da infância. É mãe e acredita no trabalho cooperado e nas trocas afetivas. Também experimenta o trabalho com o corpo e com a palavra.

 

 

 

Marina Morais é graduada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Tem experiência em várias áreas da criatividade e da comunicação visual. Trabalha como fotógrafa e gestora de marcas e estuda processos criativos e economia colaborativa.

 

 

 

Vinícius Rezende é formado em Comunicação Social, estuda Antropologia e trabalha com cinema e fotografia. Seu interesse pela imagem encontra-se com poéticas e questões periféricas e marginalizadas.


 

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