Intro capa Um século após o fim da Primeira Guerra Mundial, a ultramidiatização da violência pode levar a uma supervalorização de sua importância. Esta é a tese defendida por um número crescente de sociólogos.
Pesquisa de Pierre-Yves Bocquet
Responsáveis: Isabelle Bousquet e Alain Labouze
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Os humanos mais violentos que antigamente?

© Joel Carillet/E+/Getty Images Veja em francês
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"O mundo está cada vez mais violento". Diante da televisão, do jornal ou do feed de notícias, quem nunca pensou que a violência está definitivamente em constante recrudescimento? Conflitos armados, atos terroristas, tragédias...

O fluxo contínuo de informações de todo tipo que ilustram a propensão humana a maltratar sua própria espécie parece sempre demonstrar que as coisas vão de mal a pior.

Mas este sentimento não estaria sendo afetado pelo filtro exagerado das mídias?
Um século após o fim da Primeira Guerra Mundial, não estaríamos romantizando o passado e difamando o presente?

Esta é a teoria em contracorrente sustentada há alguns anos por alguns sociólogos, com base em números concretos. O que nos dizem as estatísticas sobre a violência e, sobretudo, como medi-la e quantificá-la? A época moderna é realmente a mais mortífera? A violência real e a violência sentida se sobrepõem? Como o riso, algumas formas de violência são próprias do Homem? Seria um instinto escondido nas profundezas de seu cérebro?

Esta pesquisa com múltiplos aspectos traz fragmentos de respostas, mergulhando na história e apelando às ciências humanas para tentar discernir os mecanismos da violência.
Armas químicas O fim das armas químicas? A Primeira e Segunda Guerras Mundiais foram marcadas pelas atrocidades do uso massivo do gás mostarda e do extermínio de mais de três milhões de judeus, homossexuais e ciganos nas câmeras de gás. Em 1997, entrou em vigor a Convenção sobre a proibição das armas químicas. Complementar à Convenção de Genebra de 1925, este tratado internacional, assinado pela maioria dos países, estipula que a fabricação e a posse de armas químicas estão proibidas. No entanto, este tipo de arma continua sendo usado, como na Síria onde fortes suspeitas de ataques com gás sarin foram denunciadas perto de Damas em agosto de 2013 (1 300 mortos) e em Khan Cheikhoun (mais de 80 mortos) em abril de 2017.
© Collection Zullo/Leemage
Um fenômeno com múltiplas feiçõçes Um fenômeno com múltiplas feições Segundo os cientistas, a violência não se resume a um único conceito. As origens e os mecanismos são diversos. Uma das principais dificuldades encontradas pelos historiadores, psicólogos e sociólogos, no estudo da violência, é conseguir defini-la. Condição indispensável antes de estabelecer estatísticas e tirar conclusões...

Quando se fala em violência, pensamos imediatamente nas guerras, nos atos terroristas, nos genocídios, nos homicídios em massa e assassinatos. Mas a violência é um fenômeno bem mais amplo e multifacetado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ela é definida como"a utilização intencional da força física, de ameaças a outros ou a si mesmo, contra um grupo ou uma comunidade, que cause ou possa causar traumatismos, danos psicológicos, problemas de desenvolvimento ou falecimento". Daí uma tipologia que tenta apreender o fenômeno sob todas as suas formas.

Fala-se, assim, de violência "racial","de caráter religioso","sexual","simbólica"(1); evocada"no trabalho","na prisão","na escola", podendo mesmo ser qualificada como "psicológica"... Esta última forma de violência só foi reconhecida pelo direito francês após a lei de 2010, aprovada no âmbito da repressão da violência contra as mulheres. Isto ilustra perfeitamente que a violência não se limita aos homicídios e que ela evolui não somente em amplitude, mas também em natureza, mudando de forma conforme a época.
Uma das principais dificuldades encontradas pelos historiadores, psicólogos e sociólogos, no estudo da violência, é conseguir defini-la. Condição indispensável antes de estabelecer estatísticas e tirar conclusões...

Quando se fala em violência, pensamos imediatamente nas guerras, nos atos terroristas, nos genocídios, nos homicídios em massa e assassinatos. Mas a violência é um fenômeno bem mais amplo e multifacetado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ela é definida como"a utilização intencional da força física, de ameaças a outros ou a si mesmo, contra um grupo ou uma comunidade, que cause ou possa causar traumatismos, danos psicológicos, problemas de desenvolvimento ou falecimento". Daí uma tipologia que tenta apreender o fenômeno sob todas as suas formas.

Fala-se, assim, de violência "racial","de caráter religioso","sexual","simbólica"(1); evocada"no trabalho","na prisão","na escola", podendo mesmo ser qualificada como "psicológica"... Esta última forma de violência só foi reconhecida pelo direito francês após a lei de 2010, aprovada no âmbito da repressão da violência contra as mulheres. Isto ilustra perfeitamente que a violência não se limita aos homicídios e que ela evolui não somente em amplitude, mas também em natureza, mudando de forma conforme a época.
(1)Teorizada pelo sociólogo Pierre Bourdieu e o epistemólogo Jean-Claude Passeron, a violência simbólica se funda em um mecanismo de dominação social : uma parte da população, socialmente e culturalmente desfavorecida, é dominada e desenvolve, assim, um sentimento de inferioridade frente aos intelectuais abastados.
Dados Mapa Mundi Uma distribuição desigual no mundo: No mundo, cerca de 437.000 pessoas foram assassinadas por homicídio doloso em 2012. Há mais de 50 anos, os níveis de homicídios na America foram 5 a 8 vezes superiores aos cometidos na Europa e Ásia. Grafico mortalidade TAXA DE MORTALIDADE
(Por 100.000 habitantes)
Dados Uma baixa global em uma
escala de tempo prolongado.
Os progressos sociais tornaram certas regiões mais seguras como, por exemplo, a Europa Ocidental ou a América. A ligeira recrudescência dos homicídios observada desde os anos 1960 está associada à conjunção de diversos fatores, principalmente demográficos e socioeconômicos. taxa-de-homicidio Taxa de homicídios na Europa Ocidental por 100.000 habitantes.
Dados Uma parte dos atos de violência NÚMERO DE INFRAÇÕES REGISTRADAS PELA POLÍCIA NA FRANÇA EM 2017 825 homicídios
8.500 assaltos à mão armada
40.400 estupros e agressões sexuais
86.755 assaltos violentos sem arma
153.700 roubos de verículos a motor
222.900 lesões corporais voluntárias
249.200 arrombamentos de moradias

A Primeira Guerra Mundial marcou o início da utilização de armas com potência inédita, oriundas das tecnologias permitidas pela industrialização. Os militares se serviram assim das primeiras aeronaves, dos veículos blindados (os famosos tanques) e dos submarinos, que mudaram profundamente as estratégias militares.
Balanço: mais de 18 milhões de mortos, 400 000 mutilados, dentre os quais 15 000 « gueules cassées », soldados desfigurados devido a ferimentos no rosto. Horrores que não são, infelizmente, um privilégio do passado e nem do uso de tecnologias evoluídas: em 1994, o genocídio dos Tutsis em Ruanda se traduziu em 800 000 mortes em três meses, sendo os facões as únicas armas.
Há 100 anos, o fim da Guerra de 14-18 © Maurice Létang/Roger-Viollet
A grande virada no fim da Idade Média A grande virada no fim da Idade Média A partir do fim do século XV, os atos de violência estão em constante declínio nos países ocidentais, resultado do reforço do arsenal legislativo. Você sonha com a época épica dos cavaleiros, dos castelos ou dos torneios? Agradeça por não ter vivido neste período em que a violência e a tortura faziam parte do cotidiano.

Os cientistas concordam com o sociólogo alemão Norbert Elias e o historiador francês Robert Muchembled: a violência diminuiu significativamente na Europa e nos países desenvolvidos desde o fim da Idade Média (por volta do século XV). Razão: a partir do século XVI, o advento de sociedades cada vez mais atentas à civilidade e ao banimento dos crimes.

A interdição dos duelos decretada sob o reinado de Louis XIII, pelo Cardeal de Richelieu em 1626, simboliza assim a pacificação dos costumes em Versalhes e em outras cortes europeias. Esta criminalização progressiva de atos violentos, acentuada no século XVIII pelos movimentos iluministas – que atribuem à vida um valor cada vez mais importante -, vai resultar em uma baixa significativa da criminalidade. Segundo os números, consenso entre os historiadores e sociólogos, o número de homicídios no mundo passou aproximadamente de 100/100 000 habitantes por ano, no século XIII, a 10 no século XVII e a menos de 1 nos dias atuais. Esta média mascara, evidentemente, algumas disparidades: numerosos países da América do Sul (Honduras, Salvador, Venezuela…) ou da África (Zâmbia, Uganda, Lesoto…) indicam ainda índices muito elevados de homicídios, superiores a 20 por ano, em 100 000 habitantes.
Você sonha com a época épica dos cavaleiros, dos castelos ou dos torneios? Agradeça por não ter vivido neste período em que a violência e a tortura faziam parte do cotidiano.

Os cientistas concordam com o sociólogo alemão Norbert Elias e o historiador francês Robert Muchembled: a violência diminuiu significativamente na Europa e nos países desenvolvidos desde o fim da Idade Média (por volta do século XV). Razão: a partir do século XVI, o advento de sociedades cada vez mais atentas à civilidade e ao banimento dos crimes.

A interdição dos duelos decretada sob o reinado de Louis XIII, pelo Cardeal de Richelieu em 1626, simboliza assim a pacificação dos costumes em Versalhes e em outras cortes europeias. Esta criminalização progressiva de atos violentos, acentuada no século XVIII pelos movimentos iluministas – que atribuem à vida um valor cada vez mais importante -, vai resultar em uma baixa significativa da criminalidade. Segundo os números, consenso entre os historiadores e sociólogos, o número de homicídios no mundo passou aproximadamente de 100/100 000 habitantes por ano, no século XIII, a 10 no século XVII e a menos de 1 nos dias atuais. Esta média mascara, evidentemente, algumas disparidades: numerosos países da América do Sul (Honduras, Salvador, Venezuela…) ou da África (Zâmbia, Uganda, Lesoto…) indicam ainda índices muito elevados de homicídios, superiores a 20 por ano, em 100 000 habitantes.
Violência em baixa porém mais visível Violência em baixa porém mais visível Consequência da nossa sociedade da informação, a midiatização da violência é permanente e pode levar a uma supervalorização de sua importância. Se a violência está realmente em baixa, por que temos a sensação contrária?
Este paradoxo pode ser explicado pela conjunção de vários fenômenos.

Primeiramente, neste momento da informação contínua e das redes sociais, o acesso a atos violentos nunca foi tão intenso: jornais e feed de notícias nos encharcam permanentemente com atos de violência perpetrados no mundo inteiro, podendo levar a um sentimento de medo e negativismo. Na França, segundo o Conselho Superior do Audiovisual (CSA), nós somos confrontados a dois assassinatos e a uma dezena de atos violentos por hora, além das ficções. Ou seja, para um telespectador « médio» que assiste televisão 3h30 por dia, um total de aproximadamente 2 600 mortes e 13 000 atos violentos por ano! Mesmo se estes atos estiverem longe de ser a regra, eles são vistos através de um filtro poderoso que reforça artificialmente sua importância.

Contudo, a exposição à violência parece favorecer os atos violentos. Este círculo vicioso, bem conhecido pelos psicólogos e sociólogos, foi novamente lembrado por pesquisadores americanos em uma meta-análise publicada em junho de 2018 no Journal of Social Issues.

Baseada em dezenas de estudos publicados nos últimos quinze anos sobre o assunto, esta síntese concluiu que ligações são cientificamente estabelecidas entre a exposição à violência nas telas (televisão, cinema, jogos de vídeo...) e a ocorrência de um estado de espírito agressivo, de uma dessensibilização à violência e de um déficit de empatia.
Se a violência está realmente em baixa, por que temos a sensação contrária?
Este paradoxo pode ser explicado pela conjunção de vários fenômenos.

Primeiramente, neste momento da informação contínua e das redes sociais, o acesso a atos violentos nunca foi tão intenso: jornais e feed de notícias nos encharcam permanentemente com atos de violência perpetrados no mundo inteiro, podendo levar a um sentimento de medo e negativismo. Na França, segundo o Conselho Superior do Audiovisual (CSA), nós somos confrontados a dois assassinatos e a uma dezena de atos violentos por hora, além das ficções. Ou seja, para um telespectador « médio» que assiste televisão 3h30 por dia, um total de aproximadamente 2 600 mortes e 13 000 atos violentos por ano! Mesmo se estes atos estiverem longe de ser a regra, eles são vistos através de um filtro poderoso que reforça artificialmente sua importância.

Contudo, a exposição à violência parece favorecer os atos violentos. Este círculo vicioso, bem conhecido pelos psicólogos e sociólogos, foi novamente lembrado por pesquisadores americanos em uma meta-análise publicada em junho de 2018 no Journal of Social Issues.

Baseada em dezenas de estudos publicados nos últimos quinze anos sobre o assunto, esta síntese concluiu que ligações são cientificamente estabelecidas entre a exposição à violência nas telas (televisão, cinema, jogos de vídeo...) e a ocorrência de um estado de espírito agressivo, de uma dessensibilização à violência e de um déficit de empatia.
Imagem Quando as telas impedem de ver... Smartphones, tabletes, computadores, aparelhos de televisão... As telas nunca foram tão numerosas para satisfazer nosso apetite por imagens. Estamos ultra conectados e rede-socializados para melhor nos indignar com a violência do mundo. No entanto, especialistas nos alertam: a midiatização da violência traduz mal a realidade da violência. Assim, as raras imagens dos naufrágios de imigrantes não conseguem abarcar todas as tragédias em curso, podendo mesmo, para alguns, contribuir para sua banalização, até mesmo para certo fatalismo. O autor do monumental filme dedicado ao Holocausto, com duração de 9 horas, Claude Lanzmann, falecido em 2018, afirmava com veemência que mostrar o horror (imagens de arquivos ou filmes de ficção) não permite que ele se represente e nem que seja representado. © Oonal /Getty Images/ iStock Guernica Quando a violência inspira a arte Vários são os artistas inspirados pelo tema da violência, de Eugène Delacroix em 1830 com A Liberdade Guiando o Povo (em referência às barricadas da Revolução Francesa) ao grupo de rock U2 e seu célebre Bloody Sunday (denúncia do massacre de militantes pacifistas pelo exército britânico em 1972). Mas uma das obras mais emblemáticas continua sendo Guernica de Pablo Picasso. O artista retrata o bombardeio da cidade espanhola de Guernica, ocorrido no dia 26 de abril de 1937, durante a Guerra Espanhola, oposição entre os republicanos e nacionalistas. Este bombardeio aéreo, ordenado pelos nacionalistas e executado pelas tropas alemãs e italianas, provocou a morte de aproximadamente 130 civis.

© leemage.com
Uma biologia da violência? Uma biologia da violência? Todos nossos comportamentos estão ligados a processos cerebrais. Porém, as raízes da violência não podem se resumir às disfunções cerebrais. Graças ao progresso da neuroimagiologia, foi possível identificar no cérebro circuitos neurais ligados às emoções, como o circuito da raiva, da agressão, do autocontrole ou do medo. Alguns trabalhos de neurocientistas, como o de Adrian Raine, chegaram mesmo a sugerir uma ligação entre as disfunções cerebrais (no nível do córtex pré-frontal e da amigdala) e comportamentos violentos. Entretanto, estas teses, frequentemente baseadas no estudo dos cérebros de criminosos, são contestadas por uma parte da comunidade científica. Neuropsicólogos estimam que numerosos fatores ambientais – como a origem social, a pobreza, a superpopulação, o consumo de álcool e outras drogas, as relações familiares, a inserção social – influem consideravelmente sobre a passagem para o ato criminoso.

Vários estudos recentes chegaram mesmo a evidenciar correlações inesperadas.

O consumo de ômega 3, um ácido graxo essencial ao bom funcionamento dos neurônios, teria um impacto significativo sobre o mecanismo de ação da serotonina, um hormônio envolvido nos comportamentos impulsivos e agressivos.

Um estudo publicado, no final de 2017, na revista Psychiatry Research, por pesquisadores das Universidades de Grenoble e de Davis (Califórnia), revelou que a ingestão de suplemento em ômega 3, durante 6 semanas, entre aproximadamente 200 adultos, reduziria o número de comportamentos agressivos em cerca de 30 %. Resultados precários a serem considerados com cautela, pois foram baseados em declarações e não em situações reais.
Graças ao progresso da neuroimagiologia, foi possível identificar no cérebro circuitos neurais ligados às emoções, como o circuito da raiva, da agressão, do autocontrole ou do medo. Alguns trabalhos de neurocientistas, como o de Adrian Raine, chegaram mesmo a sugerir uma ligação entre as disfunções cerebrais (no nível do córtex pré-frontal e da amigdala) e comportamentos violentos.

Entretanto, estas teses, frequentemente baseadas no estudo dos cérebros de criminosos, são contestadas por uma parte da comunidade científica. Neuropsicólogos estimam que numerosos fatores ambientais – como a origem social, a pobreza, a superpopulação, o consumo de álcool e outras drogas, as relações familiares, a inserção social – influem consideravelmente sobre a passagem para o ato criminoso.

Vários estudos recentes chegaram mesmo a evidenciar correlações inesperadas.

O consumo de ômega 3, um ácido graxo essencial ao bom funcionamento dos neurônios, teria um impacto significativo sobre o mecanismo de ação da serotonina, um hormônio envolvido nos comportamentos impulsivos e agressivos.

Um estudo publicado, no final de 2017, na revista Psychiatry Research, por pesquisadores das Universidades de Grenoble e de Davis (Califórnia), revelou que a ingestão de suplemento em ômega 3, durante 6 semanas, entre aproximadamente 200 adultos, reduziria o número de comportamentos agressivos em cerca de 30 %. Resultados precários a serem considerados com cautela, pois foram baseados em declarações e não em situações reais.
monumento às vítimas Os cientistas frente ao terrorismo Após os atentados de 13 de novembro de 2015 (137 mortes) em Paris, uma equipe de cientistas comandada pelo historiador Denis Peschanski (CNRS) e o neuropsicólogo Francis Eustache (Inserm) lançou um amplo estudo sobre a memória junto a 1 000 voluntários, vítimas diretas ou indiretas dos atentados. Efetuados ao longo de doze anos, estes trabalhos terão como objetivo principal compreender melhor a articulação entre memória individual e coletiva. Uma abordagem que se inspira no programa 911-Memory, conduzido pelo psicólogo americano William Hirst, após os atentados de 11 de setembro de 2001 em New-York (2996 mortes). Já está prevista uma análise comparativa dos resultados destes dois estudos.

© Dominique Faget / AFP
Uma herança da evolução? Uma herança da evolução? A capacidade do Homem de matar seus
congêneres não é única no reino animal.
Ela parece ser um produto da evolução.

Há muitos séculos que duas visões se opõem sobre a tendência do Homem a cometer atos de violência. Para uma corrente, o ser humano seria bom por natureza e seria, em seguida, pervertido por seu meio social. Para a outra, ele seria um animal como os outros que escuta seu instinto para satisfazer suas necessidades ou desejos mais primários; a educação, por sua vez, o desviaria dessa inclinação natural.

Um estudo tenha talvez resolvido em parte esta questão. Pesquisadores de três universidades espanholas publicaram na revista Nature, em setembro de 2016, um estudo comparando as mortes cometidas, dentro de uma mesma espécie, entre diferentes mamíferos, incluindo o humano, em função de sua posição na árvore da evolução.

Ao estudar 3 500 artigos sobre mamíferos – dentre os quais, aproximadamente 1 000 artigos sobre as causas da mortalidade entre os humanos – este estudo mostrou que 40 % das 1 024 espécies de mamíferos estudadas têm tendência a se matarem.

Isto pode também ser observado entre os animais aparentemente pacíficos e não carnívoros, como os cavalos, as marmotas ou os rinocerontes. A propensão a matar seus congêneres não seria própria à espécie humana, mas, ao contrário, seria generalizada no reino animal.

Esta propensão, observada no Homem, é bem próxima nos grandes símios, nossos primos próximos, mesmo não apresentando a mesma forma. Os primatas são habituados a infanticídios, acompanhados às vezes de canibalismo, como pesquisadores japoneses relataram, em outubro de 2017, no American Journal of Physical Anthropology, após terem observado um chimpanzé macho devorar um recém-nascido.
Há muitos séculos que duas visões se opõem sobre a tendência do Homem a cometer atos de violência. Para uma corrente, o ser humano seria bom por natureza e seria, em seguida, pervertido por seu meio social.

Para a outra, ele seria um animal como os outros que escuta seu instinto para satisfazer suas necessidades ou desejos mais primários; a educação, por sua vez, o desviaria dessa inclinação natural. Um estudo tenha talvez resolvido em parte esta questão.

Pesquisadores de três universidades espanholas publicaram na revista Nature, em setembro de 2016, um estudo comparando as mortes cometidas, dentro de uma mesma espécie, entre diferentes mamíferos, incluindo o humano, em função de sua posição na árvore da evolução.

Ao estudar 3 500 artigos sobre mamíferos – dentre os quais, aproximadamente 1 000 artigos sobre as causas da mortalidade entre os humanos – este estudo mostrou que 40 % das 1 024 espécies de mamíferos estudadas têm tendência a se matarem.

Isto pode também ser observado entre os animais aparentemente pacíficos e não carnívoros, como os cavalos, as marmotas ou os rinocerontes. A propensão a matar seus congêneres não seria própria à espécie humana, mas, ao contrário, seria generalizada no reino animal.

Esta propensão, observada no Homem, é bem próxima nos grandes símios, nossos primos próximos, mesmo não apresentando a mesma forma. Os primatas são habituados a infanticídios, acompanhados às vezes de canibalismo, como pesquisadores japoneses relataram, em outubro de 2017, no American Journal of Physical Anthropology, após terem observado um chimpanzé macho devorar um recém-nascido.
protesters A responsabilidade das armas de fogo
A repetição dos assassinatos em massa nos Estados Unidos (onde a liberdade de possuir uma arma está inscrita na Constituição) pode dar a impressão que a violência está em alta.

Contudo, em todo país, a criminalidade diminuiu pela metade desde os anos 1990. O que não impediu Donald Trump de lamentar, em fevereiro de 2017, que os homicídios tenham atingido o seu mais alto nível nos últimos 47 anos. Entretanto, é verdade que a metade das mortes por armas de fogo, no mundo, se concentra nos Estados Unidos e em cinco outros países: Brasil, México, Colômbia, Venezuela e Guatemala. Sendo o Brasil o mais afetado, responsável por um quarto das vítimas mundiais por armas de fogo.
© Erin Schaff /The New York Times-REDUX-REA
As agressões sexuais em alta? Na França, o número de mulheres vítimas de agressão sexual é três vezes maior que entre os homens. O último estudo sobre a evolução da delinquência mostra uma progressão deste tipo de violência de 23% em 2018 em relação a 2017. Um aumento que se explica principalmente pelo fato que cada vez mais mulheres ousam dar queixa, após o início do movimento #MeToo. Movimento que surgiu após o caso Weinstein que sacudiu o mundo do cinema, em outubro de 2017, e os numerosos testemunhos de estupros e assédio sexual de atrizes. celular O " Chiffroscope " O " Chiffroscope ". Este filme propõe uma leitura estatística e factual da violência através da história. E tenta responder à questão: o mundo está cada vez mais violento?

Duração: 1 min 40
MERCI merci
Aliança Francesa Belo Horizonte OS HUMANOS MAIS
VIOLENTOS QUE ANTIGAMENTE?
Cité Exposição concebida pela Cidade das Ciências e da Indústria, um espaço Universcience.
21 de setembro de 2020
capa

Exposição UNIVERSCIENCE: “Os humanos mais violentos que antigamente?”

18 de junho de 2020
Tais Santos - Retratos íntimos

Concurso de fotografias: O Que Meus Olhos Vêem (Ce que mes yeux voient)

  Sob o tema ‘’O Que Meus Olhos Veem’’ o concurso busca estimular a criatividade e a interação (virtual) das pessoas em isolamento social devido […]