Intro Capa exposição Nossas sociedades ultra conectadas não podem mais viver sem o digital. Os impactos sobre o meio-ambiente e a saúde apelam à moderação de nossos usos. Pesquisa de Pierre-Yves Bocquet
Chefe de redação : Alain Labouze (Science Actualités/Cité des sciences et de l’industrie)
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Tecnologia:

Em Direção a Sobriedade Digital

© Getty Images Veja em francês
Em poucas palavras Em poucas
palavras
O mundo entrou, há quinze anos, na era da ultra conexão. O número de smartphones está em constante aumento e nossos lares acolhem continuamente dispositivos conectados.

Ao mesmo tempo, graças ao progresso das telecomunicações (fibra, 5G...), dispomos de bandas largas sem fio cada vez mais potentes.

Resultado: um aumento vertiginoso do tráfego de dados, através de atividades sempre mais tentadoras em banda larga (armazenamento e compartilhamento de dados, vídeos online).

Esta atividade digital, imaterial, é frequentemente considerada como ‘’limpa’’. Porém, a fabricação e o funcionamento do ecossistema digital (redes, data center...) demandam um alto consumo energético e geram impactos significativos sobre o meio-ambiente a começar pelas emissões de gás efeito estufa semelhantes às da aviação.

Isso explica o apelo de alguns especialistas sobre a entrada urgente da sociedade em uma nova era, a era da sobriedade digital, reconsiderando o uso do digital em função de seu impacto, exatamente como faríamos em relação ao carro ou avião. Um novo paradigma, até mesmo uma pequena revolução, em um mundo viciado nas tecnologias digitais.

Enfim, um questionamento profundo sobre nossos modos de vida e comportamentos, guiados de forma viciante pela onipresença das telas.
©Scott-Eklund-Red-Box-Pictur A face oculta do digital Invisíveis, os data centers – 4 424, situados em 122 países – formam a coluna vertebral das atividades digitais mundiais. São eles que recebem todos nossos dados (e-mails, mensagens, fotos, documentos…) para serem estocados no famoso cloud.

Estas instalações repletas de servidores eletrônicos, operacionais em todos os dias da semana, 24 horas por dia, podem consumir até 100 milhões de watts (100 MW), ou seja, 10 % da produção elétrica de uma central termoelétrica.

Como a metade deste consumo é destinada ao resfriamento dos discos rígidos, os operadores empregam tesouros de engenhosidade para se beneficiarem de uma climatização natural, instalando-os em países frios (como o Facebook na Suécia) ou debaixo d’água, como a Microsoft que submergiu uma central experimental nas águas frias da Escócia (foto), em junho de 2018.
©Scott Eklund - Red Box Pictures
Uma recente tomada de consciência Uma recente tomada de consciência A urgência climática ignora quase sempre o impacto ambiental das atividades digitais. Desde os anos 1980, a comunidade internacional se comprometeu oficialmente a lutar contra o aquecimento climático, ligado às atividades humanas (indústria, transporte, aquecimento...).

O processo de conscientização se concretizou com a criação, em 1988, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas ( IPCC), e a assinatura de acordos (Rio em 1992, Kioto em 1997, Johanesburgo em 2002, Paris em 2015) visando limitar as emissões de gases efeito estufa dos países signatários.

Uma opção prevista seria a transição das indústrias pesadas, consumidoras de energias fósseis (siderurgia, química, automobilística…), para atividades digitais consideradas como fontes de produtividade, de eficácia e de empregos, ditas ‘’limpas’’’. Porém, outra preocupação emerge há alguns anos: o digital – computadores, smartphones, redes sem fio, serviços online, redes sociais, objetos conectados, inteligência artificial –, cuja velocidade de propagação é vertiginosa, torna-se também um grande consumidor de energia.

A Agência do Meio Ambiente e da Matriz Energética (Ademe) estima que produzir um smartphone consome aproximadamente 80 vezes mais energia que fabricar um carro à gasolina.

Outro exemplo: segundo um estudo americano, publicado em junho de 2019, a manutenção de uma rede de neurônios, durante 96 horas, para fins de inteligência artificial – como os assistentes vocais (Alexa, Siri, Assistente Google) – emite tanto dióxido de carbono quanto atravessar os Estados Unidos de avião. O setor do digital traz, por sua vez, problemas de produção e de consumo energéticos. Como consequência: aumento das emissões de gás efeito estufa.
Desde os anos 1980, a comunidade internacional se comprometeu oficialmente a lutar contra o aquecimento climático, ligado às atividades humanas (indústria, transporte, aquecimento...).

O processo de conscientização se concretizou com a criação, em 1988, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas ( IPCC), e a assinatura de acordos (Rio em 1992, Kioto em 1997, Johanesburgo em 2002, Paris em 2015) visando limitar as emissões de gases efeito estufa dos países signatários.

Uma opção prevista seria a transição das indústrias pesadas, consumidoras de energias fósseis (siderurgia, química, automobilística…), para atividades digitais consideradas como fontes de produtividade, de eficácia e de empregos, ditas ‘’limpas’’’. Porém, outra preocupação emerge há alguns anos: o digital – computadores, smartphones, redes sem fio, serviços online, redes sociais, objetos conectados, inteligência artificial –, cuja velocidade de propagação é vertiginosa, torna-se também um grande consumidor de energia.

A Agência do Meio Ambiente e da Matriz Energética (Ademe) estima que produzir um smartphone consome aproximadamente 80 vezes mais energia que fabricar um carro à gasolina.

Outro exemplo: segundo um estudo americano, publicado em junho de 2019, a manutenção de uma rede de neurônios, durante 96 horas, para fins de inteligência artificial – como os assistentes vocais (Alexa, Siri, Assistente Google) – emite tanto dióxido de carbono quanto atravessar os Estados Unidos de avião. O setor do digital traz, por sua vez, problemas de produção e de consumo energéticos. Como consequência: aumento das emissões de gás efeito estufa.
Um crescimento desenfreado Um crescimento desenfreado Cada vez mais objetos conectados... Vendas mundiais, milhões de equipamentos conectados (smartphones, PC, tablets, TV, som, termostatos...): Gráfico O número de objetos conectados é cada vez maior, tanto na indústria (para manutenção à distância, como o medidor de energia comunicante Linky da Enedis) quanto nas residências, com o advento dos televisores, som e carros conectados. ... e serviços online Um crescimento desenfreado ... e serviços online Dados transitando nas redes (ADSL, fibra, 4G) por tipo de uso: O vídeo representa sozinho mais de dois terços do tráfego. Ele compreende o vídeo on demand (Replay TV, Netflix) e o vídeo internet (televisão recebida via box). O aumento do padrão de qualidade, com a ultra alta definição (4k e, logo, 5k), vai gerar sempre necessidades maiores. desenho tv Uma forte pegada energética e climática Uma forte pegada energética e climática Uma maior ganância em energia... A porcentagem do digital no consumo energético mundial Gráfico 3 ... e em emissão de CO2 Gráfico 4 A etapa de fabricação é a maior emissora de CO2, pois estes objetos são regularmente substituídos Emissões ocultas mas bem reais Emissões ocultas mas bem reais Emissões indicativas de CO2 (Sem levar em conta a fabricação)
Consumo energético por aparelho Gráfico 6
Um impacto sobre os recursos naturais Um impacto sobre os recursos naturais Aparelhos alimentados principalmente com metais raros e reciclagem insuficiente...
A porcentagem do digital
no consumo energético mundial
... e cujo abastecimento é crítico Um impacto sobre os recursos naturais ... e cujo abastecimento é crítico
Principais países dos quais provêm os metais raros: Gráfico 9 *Európio, Lantânio, Térbio, Praseodímio,
Disprósio, Gadolínio para as telas a cores;
Disprósio, Praseodímio, Térbio, Neodímio,
Gadolínio para os circuitos eletrônicos.
hIPERCONEXAO Se alguns objetos demandam acesso à internet, como as caixas de som conectadas (para funcionamento dos assistentes vocais), as câmeras de vigilância (para nos prevenir nos casos de intrusão) ou os termostatos (para regular a temperatura à distância), este recurso afeta também alguns objetos para os quais isto parece menos pertinente, como: geladeira, lava-louças, cinto, gravata, chupeta… Neste ritmo, todos os objetos, ou quase todos, existirão brevemente em versão conectada.

Formando, assim, uma imensa ‘’Internet dos objetos’’ que deverá gerar mais de 25 bilhões de conexões mundiais em 2025, segundo as estimativas de GSMA Intelligence, contra 6,3 bilhões em 2016.
A loucura da hiperconexão ©iStock - Getty Images Plus, metamorworks
Os reais impactos no meio-ambiente Os reais impactos no meio-ambiente Da produção dos objetos high-tech até o fim de sua vida útil, a pegada ambiental do setor digital está longe de ser insignificante. O impacto dos objetos high-tech (smartphones, computadores, aparelhos conectados) sobre o meio-ambiente começa a partir da sua fabricação. É preciso extrair os metais que fazem parte de sua composição (baterias, telas, circuitos eletrônicos), uma das atividades industriais mais poluentes. Além disso, os metais são às vezes recursos ameaçados de escassez ou cujo abastecimento traz problemas de dependência econômica, como o lítio para as baterias, ou as terras raras (gálio, índio, tântalo, rutênio, germânio…), frequentemente utilizadas nas telas em razão de suas propriedades óticas específicas. É preciso também levar em conta o consumo energético (daí a poluição) ligado ao seu uso, e a infraestrutura (rede, data centers…) na qual transitam e são estocados os dados.

Segundo a Universidade de Louvain, o consumo elétrico anual do digital corresponde a 1500 TWh, ou seja, 10 % da produção mundial de eletricidade.
Este setor seria, então, responsável por 4 % das emissões mundiais de gás efeito estufa, de acordo com a empresa especializada Gartner, ou seja, um impacto sobre o clima comparável ao da aviação. Enfim, quando chegam ao fim de sua vida útil, os objetos high-tech formam toneladas de resíduos, o que aumenta ainda mais a pegada ambiental do digital. Em janeiro de 2019, a ONU lançou uma campanha de sensibilização sobre o lixo eletrônico: ele representa 50 milhões de toneladas a cada ano no mundo, dos quais somente 20% são reciclados.
O impacto dos objetos high-tech (smartphones, computadores, aparelhos conectados) sobre o meio-ambiente começa a partir da sua fabricação. É preciso extrair os metais que fazem parte de sua composição (baterias, telas, circuitos eletrônicos), uma das atividades industriais mais poluentes. Além disso, os metais são às vezes recursos ameaçados de escassez ou cujo abastecimento traz problemas de dependência econômica, como o lítio para as baterias, ou as terras raras (gálio, índio, tântalo, rutênio, germânio…), frequentemente utilizadas nas telas em razão de suas propriedades óticas específicas. É preciso também levar em conta o consumo energético (daí a poluição) ligado ao seu uso, e a infraestrutura (rede, data centers…) na qual transitam e são estocados os dados.


Segundo a Universidade de Louvain, o consumo elétrico anual do digital corresponde a 1500 TWh, ou seja, 10 % da produção mundial de eletricidade.
Este setor seria, então, responsável por 4 % das emissões mundiais de gás efeito estufa, de acordo com a empresa especializada Gartner, ou seja, um impacto sobre o clima comparável ao da aviação. Enfim, quando chegam ao fim de sua vida útil, os objetos high-tech formam toneladas de resíduos, o que aumenta ainda mais a pegada ambiental do digital. Em janeiro de 2019, a ONU lançou uma campanha de sensibilização sobre o lixo eletrônico: ele representa 50 milhões de toneladas a cada ano no mundo, dos quais somente 20% são reciclados.
Uma poluição global, mas também local A maior parte das reservas de terras raras exploradas (elementos químicos muito apreciados em eletrônica por suas propriedades óticas) se situa na China, onde sua exploração e seu tratamento causam importantes danos ecológicos – as técnicas de extração repousam na utilização de ácido sulfúrico, usado para dissolver o mineral. Além disso, as minas de terras raras contêm frequentemente componentes radioativos (urânio e tório).

Tudo isto é, então, despejado em grandes lagos artificiais que poluem o solo e os lençóis freáticos, como ao redor da mina chinesa de Bayan Obo, uma das maiores do mundo.
©Richard JONES - SINOPIX-REA
Reciclagem Incipente Uma reciclagem ainda incipiente Na Europa e em outros países industrializados, existem normas que impõem que o lixo eletrônico seja coletado e reprocessado. Mas na prática, esta operação é pouco rentável, pois, computadores, tabletes e outros smartphones contém nada menos que sessenta elementos químicos diferentes, em pequenas quantidades.

Conseguir alguns miligramas de metal raro em um circuito eletrônico continua sendo uma operação complexa, cujos lucros não chegam a cobrir os custos.

Estes resíduos são, às vezes, exportados ilegalmente a baixo custo. Como no Gana: a descarga monumental no aterro de Agbogbloshie é uma das maiores no mundo e uma das mais poluídas.
©Gioia Forster - picture alliance via Getty Images
Globo Terrestre Disparidades geográficas O consumo digital excessivo não afeta da mesma forma todas as regiões do mundo.
Em 2021, o número de equipamentos conectados por indivíduo chegará a 13 por americano, 9 por europeu, 3 por asiático e 1,4 por africano, segundo a empresa americana Cisco.
Mas a principal fratura continua sendo a internet, à qual somente 40 % da população mundial (3,2 bilhões de pessoas) tem hoje acesso, de acordo com o Banco Mundial. Uma proporção destinada a aumentar nos próximos anos, com o lançamento de grandes constelações de satélites destinados a garantir o acesso à internet nas regiões mais isoladas. Como OneWeb (ilustração) ou Starlink, cujos primeiros satélites foram lançados em fevereiro e maio de 2019.
©OneWeb Satellites
Abusos nefastos para a saúde Abusos nefastos para a saúde A hiperconexão pode levar a problemas de dependência e perturbar os ritmos biológicos Além das razões ambientais, a adesão à sobriedade digital parece se impor para limitar também os impactos das novas tecnologias sobre a saúde. Primeiro desafio: os problemas de dependência (Internet, smartphone, selfies, mensagens, redes sociais, videogame…), que ocupam um lugar crescente em nossas sociedades.

Na França, um internauta passa, em média, 80 minutos por dia nas redes sociais, cujo abuso pode levar a crises de ansiedade e de depressão, como já demonstraram vários estudos, dentre os quais o estudo da Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos, publicado no final de 2018, no Journal of Social and Clinical Psychology.

Outro estudo publicado em dezembro de 2018, na New Media and Society, sobre os grandes usuários de smartphone, mostra que a relação que eles desenvolvem com seu aparelho corresponde... ao companheirismo!

Quer dizer que ele suscita emoções (alegria, stress, ausência…) próximas daquelas que caracterizam, geralmente, as relações humanas. Outro impacto: os distúrbios ligados à luz emitida pelas telas.

Em um relatório publicado em abril de 2019, a Agência Nacional de Segurança Alimentar, Ambiental e de Saúde Ocupacional (Anses) salienta que ‘’as telas de computador, de smartphones e de tablets representam fontes importantes de luz rica em azul’’ e ‘’que uma exposição, mesmo fraca, à luz rica em azul, à noite ou de madrugada, perturba os ritmos biológicos e, assim, o sono’’.

Principalmente, as crianças e adolescentes, cujos olhos não filtram totalmente a luz azul, ‘’constituindo uma população particularmente sensível’’.
Além das razões ambientais, a adesão à sobriedade digital parece se impor para limitar também os impactos das novas tecnologias sobre a saúde. Primeiro desafio: os problemas de dependência (Internet, smartphone, selfies, mensagens, redes sociais, videogame…), que ocupam um lugar crescente em nossas sociedades.

Na França, um internauta passa, em média, 80 minutos por dia nas redes sociais, cujo abuso pode levar a crises de ansiedade e de depressão, como já demonstraram vários estudos, dentre os quais o estudo da Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos, publicado no final de 2018, no Journal of Social and Clinical Psychology.

Outro estudo publicado em dezembro de 2018, na New Media and Society, sobre os grandes usuários de smartphone, mostra que a relação que eles desenvolvem com seu aparelho corresponde... ao companheirismo!

Quer dizer que ele suscita emoções (alegria, stress, ausência…) próximas daquelas que caracterizam, geralmente, as relações humanas. Outro impacto: os distúrbios ligados à luz emitida pelas telas.

Em um relatório publicado em abril de 2019, a Agência Nacional de Segurança Alimentar, Ambiental e de Saúde Ocupacional (Anses) salienta que ‘’as telas de computador, de smartphones e de tablets representam fontes importantes de luz rica em azul’’ e ‘’que uma exposição, mesmo fraca, à luz rica em azul, à noite ou de madrugada, perturba os ritmos biológicos e, assim, o sono’’.

Principalmente, as crianças e adolescentes, cujos olhos não filtram totalmente a luz azul, ‘’constituindo uma população particularmente sensível’’.
O ‘’streaming’’ aumenta vertiginosamente o tráfego O tráfego, quer dizer, a quantidade de dados que transitam nas redes Internet a cada instante, progride aproximadamente 25 % ao ano. Ele é impulsionado, ao mesmo tempo, pelo aumento do número de terminais (smartphones, tablets, computadores…) que se conectam à rede, mas também pela expansão sem precedentes dos vídeos on demand (streaming), que permitem visualizar vídeos online, como Netflix, Youtube ou as ofertas ‘’replay ‘’ na televisão.

A visualização de vídeos monopolizou a metade do tráfego em 2016 e monopolizará dois terços em 2021, segundo a empresa Cisco.

As exigências se tornaram tão fortes que estes serviços primam em qualidade e propõem vídeos em alta definição… com uma ambição cada vez maior em banda larga.
©EMILIO FLORES - The New York Times-REDUX-REA
Um leque de soluções sustentáveis Um leque de soluções sustentáveis Não existe solução milagre, mas existe uma série de dispositivos a serem desenvolvidos pela indústria e os indivíduos. Para tornar o digital mais sustentável, os engenheiros avançam sobre novos componentes eletrônicos e protocolos de comunicação banda larga, intrinsicamente mais sóbrios em energia, como o Bluetooth Low Energy ou o LoRa, com o intuito de diminuir o consumo elétrico dos aparelhos de comunicação.

Mesmo quando não estão ligados, melhorando sua reatividade para que possam ficar em stand-by mais frequentemente e serem ligados rapidamente.

Outra abordagem mais radical: uma total sobriedade digital, quer dizer, a passagem de um consumo intenso a um uso mais moderado.

Ao mesmo tempo, uma sensibilização dos usuários para as boas práticas: comprar um equipamento cuja potência corresponda ao uso real, fazer com que seu smartphone ou seu computador dure mais tempo antes de substitui-los, evitar usos supérfluos ao deixar aceso um aparelho não utilizado, não enviar e-mails quando um meio de comunicação mais sóbrio for possível (telefone, SMS ou... conversa ao vivo!), não enviar anexos muito pesados, apagar da caixa de e-mail as mensagens e propagandas inúteis.

Estes pequenos gestos, aparentemente insignificantes, permitirão diminuir o apetite dos ogros energéticos, os data centers.
Para tornar o digital mais sustentável, os engenheiros avançam sobre novos componentes eletrônicos e protocolos de comunicação banda larga, intrinsicamente mais sóbrios em energia, como o Bluetooth Low Energy ou o LoRa, com o intuito de diminuir o consumo elétrico dos aparelhos de comunicação.

Mesmo quando não estão ligados, melhorando sua reatividade para que possam ficar em stand-by mais frequentemente e serem ligados rapidamente.

Outra abordagem mais radical: uma total sobriedade digital, quer dizer, a passagem de um consumo intenso a um uso mais moderado.

Ao mesmo tempo, uma sensibilização dos usuários para as boas práticas: comprar um equipamento cuja potência corresponda ao uso real, fazer com que seu smartphone ou seu computador dure mais tempo antes de substitui-los, evitar usos supérfluos ao deixar aceso um aparelho não utilizado, não enviar e-mails quando um meio de comunicação mais sóbrio for possível (telefone, SMS ou... conversa ao vivo!), não enviar anexos muito pesados, apagar da caixa de e-mail as mensagens e propagandas inúteis.

Estes pequenos gestos, aparentemente insignificantes, permitirão diminuir o apetite dos ogros energéticos, os data centers.
Detox digital Após a intoxicação, o "detox"? Todos já sentiram, pelo menos uma vez, os efeitos tóxicos da hiperconexão: falta de concentração devido à enxurrada de informações, hipnotizado pelo poço sem fundo de postagens e vídeos nas redes sociais, sem esquecer a conexão potencialmente permanente com o stress do universo profissional. Isto tem levado alguns psicólogos e sociólogos a defender o detox digital, uma forma de sobriedade digital para se proteger da hiperconexão e encontrar seu próprio ‘’eu’’, e não somente seu avatar, a imagem destinada a nos representar nas redes.

Uma tendência que faz questionar nosso modo de vida: é possível ficar conectado permanentemente em qualquer lugar, a qualquer hora do dia ou da noite. Mas não seria preciso ceder?
©PJeff Kravitz - FilmMagic - Getty Images
MERCI merci
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